Blog do Bilaco

17 June 2019

COMEÇOU HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO

Escrito por  Publicado em Memórias
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Após um dia cinzento, com chuviscos trazendo frio de um autêntico outono,  quando no meio da noite, veio em  minha cabeça a lembrança de mais de meio século passado de minha encantadora  cidade.

A lembrança de amigos e amigas que se foram, como o verão que deu lugar para o outono trazendo momentos angustiantes com amostras do inverno que está por vir.

A lembrança de amigos e amigas que nos deixaram, fazendo reviver os tempos de uma adolescência marcada pelo maravilhoso verão.

Quero prestar uma homenagem a eles e elas  que nunca irei esquecer, que nunca morreram de verdade. O que construímos vai durar para sempre.

Lembrança da única escola com o curso  ginasial sob a disciplina das Irmãs Religiosas e muitas coisas ainda vivas em minha memória.

Lembro com saudades, há mais de 70 anos, os tempos de criança, nos potreiros dos Bertozzi, dos Fontana, junta de bois puxando a carroça comandada pelo velho Rafael Bertozzi,  que rangia dando um tom de harmonia acompanhado pelas revoadas dos quero-queros, gorjeio e silvo dos pássaros. Lembrança de nossa querida vizinha, Dona Rosalina  levando a vaca estrela depois de ordenhada para pastar no piquete acima de nossa casa.

Num dia  de aventuras, subi a pequena ladeira junto ao  taquaral e  ao lado uma laranjeira, que nela cantava  um sabiá. Era um pássaro de maior porte em nossa vizinhança. Com minha funda, estilingue ou bodóque apontei para a ave e estilinguei atingindo a caça. Correndo de um galho para outro com a asa caída, foi ao chão  no gramado do potreiro e logo o alcancei segurando-o com cuidados em minhas mãos. Tomado de tristeza pois cantava ao lado de seu ninho, logo o levei para a casa de meu amigo Mario Bertozzi, também com seis anos de idade,  que morava na casa logo abaixo. Mario convalescia devido a  ferimentos de um acidente com cortes de vidro na mão, com uma mão agarrou  o pássaro ferido dizendo:- Deixe comigo, vou cuidar dele. No dia seguinte,  voltei até sua casa e lá estava na cozinha,  meu amigo feliz com a notícia de que o sabiá estava bem e, com a mão sem ferimentos o embalou e lançou para o alto saindo batendo as asas num voo que nos deixou felizes indo junto de seu ninho.

Com muita curiosidade víamos o trabalho de profissionais na assistência mecânica da revenda Ford Guido Cé e com saudades lembramos do ferramenteiro Alzair Scartezini, que foi vitima de um trágico acidente com caminhão.

Lembro nossa vida estudantil, no preparo para o exame de Admissão ao Ginásio, estudantes mais aplicados e estudiosos pulavam do quarto ano primário para a primeira série ginasial, que foi a conquista de Zeno Lanzini e Agenor Giongo (Didi).

Gazear aula era uma grande curiosidade. Desafiando a autoridade da Madre Tereza,  para experimentar, na primeira semana de ginásio na companhia de Delvo Simonini no barracão do Salão Paroquial fomos jogar cartas. Naquele início de ano inauguramos a suspensão  de 3 dias.

Lembro das campanhas para a Presidência do Grêmio Estudantil. Quando Valmor Tombini lia o resultado dos votos na segunda série Ginasial e no quadro negro que era preto mesmo,  Tildo Mazzarino (Tibi) com giz branco escrevia o resultado. Também na segunda séria Alcides Nardino já tinha editado um livro com o título, “Trágico Fim”.

Lembro da banda (fanfarra) do Colégio, todo desajeitado, mas com passo firme e no ritmo, Mauri Filter tocava tarola, Valdir Pinherio tocava bumbo ou  surdo, ao lado de Norberto Bertozzi na caixa,  joão Fernando Sana também acompanhava com toque de caixa.

Grande a alegria no pátio e no pavilhão do Colégio misto antes do sinal para o início das aulas, os flertes dirigidos nas conquistas amorosas e em pequenos grupos, visível era a  meiguice e pureza de Marilene Pretto, Dalva Campos e  Neusa Pretto.

Lembro quando sabatinado pela Professora Lorena Pedro, pediu para que desse o nome de um  pintor. Rapidamente veio em minha mente a figura do Pedro Vila (Piero) que era pintor profissional. Mais um castigo disciplinar, de pé defronte o quadro negro.

Em 1959 a cidade estava em festa. Acabava de ser montado o Circo Teatro Rialto. Desfile pelas ruas da cidade anunciando espetáculo com uma peça teatral logo à noite. Na frente desfilava o engraçadíssimo palhaço BIRUTA e logo atrás o elenco todo de bons artistas. Naquela ocasião,  em frente a Farmácia Berté, houve o encontro do desfile do Circo com a Senhora Anelice Anerl que rumava para sua chácara na Linha Garibaldi montada numa bicicleta no reboque de vários cães daschund ou salsicha puxando-a que abrilhantou mais ainda a passeata artística. Era mês de março. O Circo Teatro Rialto anunciou para o final de semana a peça, O MANTO SAGRADO. Foi uma correria dos jovens  no convite dos circenses para participar como figurantes e dublês. Eu consegui o papel de São José que aos pés da Cruz tinha a única fala:- Ímpios. Valdir Pinheiro era Doutor da Lei, não tinha fala e Piero Villa foi amarrado na cruz dublando o artista Hugo Duarte no papel de Jesus Cristo. No momento da luta com espadas soldados romanos contra cristãos (homens pesados), defronte os três crucificados, o palco de madeira balançava e assustado com uma possível queda e com as mão amarradas na cruz, Piero Vila exclamou:- Pórco Dio, me tira daqui que vou cair. Que momento de grande espetáculo.

Como esquecer dos Bailes no Clube Recreativo Encantadense (CRE), com as orquestras de instrumentos de metais soprando lindas melodias e a inesquecível  Típica que tocavam tangos e milongas para bailar. Grande atração era ver os casais de bailarinos, Leonório (Nói) e Dona Edi Sechi, Dr. Darcy e Dona Maria Conceição dançando tango figurado.

Lembranças dos carnavais. A proximidade dos dias carnavalescos movimentava toda juventude de nossa pequena e encantadora  cidade. As meninas inesquecíveis, Dalva Campos, Marilene Pretto, apoiadas pelas mães, lideravam amigas nas costuras de criativas fantasias com tecidos coloridos levados por nós, que conseguíamos com ajuda dos comerciantes. Na escola de samba, no destaque Luiz Aurélio Bastos (Lelélo), Emir Filter, Namir Giongo, Arremor Mazzarino, José Goldoni, Osvaldo Campos Fº (Osvaldinho), Solano Bergamaschi. Nossos admiradores e apoiadores, Mario Silva, João Cunha, Osvaldo Campos e Mauro Filter.

Como esquecer o sorriso da prima Tânia Chanan de ontem que ficou marcando em seu lindo rosto para sempre.    

Lembranças da Rádio Encantado. Mario Sassi e Alécio Kury.

Lembranças até os anos sessenta, onde acabou! Longas conversas com muitos goles,  chegaram ao fim.

Agora um abraço imaginário marcando o passado.

Estou lembrando porque jamais esquecerei vocês! São amigos e amigas que nunca morrem de verdade.

Bilaco.

Adroaldo Bilaco Chanan  

Olá, eu sou o Bilaco e tenho muitas histórias para contar. Me acompanhe.

4 comentários

  • Melissa  
      Link do comentário Saturday, 28 September 2019 17:28 postado por Melissa

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  • Airto Francisco Gomes  
      Link do comentário Tuesday, 18 June 2019 13:07 postado por Airto Francisco Gomes

    Amigo Bilaco: Parabéns pelas memórias, as pessoas se vão e elas precisam ficar...viajei contigo. Muitos que lerem teus textos também viajarão...repletas de saudosismo e de graça. Abraço!

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