Blog do Bilaco

10 April 2019

Noventa anos

Escrito por  Publicado em Poesias
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NOVENTA JOSÉ

 

Pelos princípios católicos, não hesitou um momento.

No início da adolescência, escolheu o caminho religioso.

Com amor e fé, entrou para o convento.

Seguiu todo regulamento e na vocação, fervoroso. 

Orientação de frades franceses e impiedosos.

A disciplina rigorosa com grandes sacrifícios.

Adquiriu aprendizado na cultura rígida de religiosos

Latim, grego, francês que lhe deu muitos benefícios.

 

O destino não lhe assegurou o posto no seminário.

Voltou ao antigo ninho, estranho pelos seus.

Introduziu-se ao lar, e recomeçou seu novo itinerário,

Na dependência de seus pais e confiante a Deus.

 

Tempos com dificuldades comerciais, foi a luta.

No sangue árabe, a origem de comercializar,

Levou José ao interior montanhoso e íngreme com disputa,

Com a intenção de facilitar a vida de colonos a esperar.

 

Nas andanças pelas colônias aventuradas,

Vendia, dava notícias da capital e se abrigava.

Mercadoria entregava, alimentava pela noitada.

No paiol com o animal, agradecia e despertava.

 

Ao oferecer suas benéfices de Mercadante,

Viu como dádiva, interessante, uma jovem impressionante

Interessada nas compras de seu pai, curiosa, escolhia qualidade.

Encontrou o interesse do mascate, em sua beleza deslumbrante.

 

Feliz, vendeu pela necessidade o conveniente,

Vasta mercadoria e andava em bela montaria.

Indesejada era a despedida, saiu de mansinho,

E para a linda jovem de presente deu um lencinho.

 

Dominado pela paixão, tinha que evitar a dor.

Para garantir um por vir digno e de bem-querer.

Sem dependência, e assegurar um amor.

Se não, ter uma vida própria até vencer.

 

Foi buscar e trouxe para junto de si.

E, então, vieram, ODETE, NAZIRA, ADROALDO E CARLOS.

Entre tachos de sabão, marmeladas, mandolates, mãos cheias de calos

Passaram-se trabalhos perseverantes que nunca esqueci.

 

A retidão, o trabalho abnegado ao seu senhor.

A cultura adquirida nos primórdios dos ensinamentos,

Formaram um caráter, de grande servidor,

Como poeta e orador para a lembrança de nossos tempos.

 

Vida que só homem de fibra agüenta,

Vida de homem de grandes planos,

Vida de homem exemplar que ostenta,

Vida que chega e passa os noventa anos.

 

Parabéns, José e Letícia.

 

Bilaco, março de 2005

Adroaldo Bilaco Chanan  

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