COLÉGIO SÃO JOSÉ E ESCOLA MADRE BÁRBARA

1940 a 1962

Aos meus 14 anos, em 1956, lembro quando fui para o internato masculino do  Colégio São José dos Irmãos Maristas em Lajeado/Rs..

O Colégio São José, recebia no internato, alunos de todo Brasil, porém, a maioria do Estado do Rio Grande do sul,  muitos da Região do Vale do Taquari, onde convivi com internos remanescentes de 1940 até o final da década de 1950:

Internos o Colégio São José/Lajeado-Rs

De Relvado/Rs: Alcides Ganassini, Otalivio Mella, Sadi Laude, Neodi e Nevile Bonfantti, Moacir Laude, Rubens Bagatin e Nei Santin;

De   Putinga/Rs: Clóvis Zonta, César Augusto Roveda,  Adailton Cé, Irno Sbaraini (Coquinho);

De Ilópolis/Rs Décio Tomazini, Danilo Tomazini, Aristeu Buzetto, Décio Buzetto (Detefon), Adelson Boscarin,  Spézia, Antônio Tomazini, Claudinor Tomazini e Nereu Tomazini (Melão);

De Anta Gorda: Léo Miotto, Celso Miotto e Odacir Simon;

De Muçum: Ramieri Biazotti e  Celso Muriggi;.

De Arroio do Meio/Rs: Paulo Poletto e Paullo Kaeffer.

De Roca Sales/Rs: Getulio Orlandini e Odilon Gheno;

Boqueirão do Leão/Rs: Flávio Aesse;

De Travesseiro-Arroio do Meio/Rs: Helio Pretto;

De Fontoura Xavier (Guaimirin)/Rs:Também de nossa Região, os Irmãos Hercílio e Valmir Tafarel, Paulo Tatin, Ruy Tatin e o irmão do Ruy (Bugio);

 Já mais distante, de Frederico Westphalen/Rs, mas oriundos de Encantado, Irno Suculotti e Luiz Panosso  e, o sempre eleito melhor amigo do internato Basilio Cella de Ciríaco/Rs.:

De Encantado/Rs: Décio Bergamachi, Ildo Bazaznella, Demétrio Pretto, Henrique Cé, Nelson Cé,  Olvidio Cé, Rui Dalapicolla, Telmo Realli, Edgar Sechi, Airton Giordano (semi-interno), Juarez Brum, Antônio Janizella,  Adroaldo José Chanan (Bilaco), Mauri Filter, Paulo Fernando Chanan, Luiz Aurélio Bastos (Lelelo), Roberto Lhude,  Edésio Cé, Edinei Duarte, Paulo Shaeffer, Aldomir Sartori, Paulo Cé e muitos outros que não lembro.

A emoção do início do ano letivo era muito grande.

No internato era uma vida diferente dos que viviam fora como alunos externos, principalmente dos que os pais os colocavam com 10 anos e concluíam o ginásio perto dos 18 anos. 

A maioria usava o transporte de Encantado  para Lajeado, pelo ônibus da Empresa  Auto Viação  Arroio do Meio, dirigido no início pelo motorista Donato, depois Nicolau Fiorini, Expedito Fiorini e no final dos anos 50 e 60 o motorista amigo, Sergivo Fiorini.

Devido a data do início das aulas das internas da Escola Madre Bárbara, ser  a mesma do  Colégio São José,  os encantadenses usavam o mesmo transporte que as alunas da Escola Madre Bárbara  de Encantado. Lembrando: Dolores Cé,  Clecy Kury, Tania Maria Chanan, Odete Terezinha Chanan, Nazira Maria Chanan,    Maria Clotilde Secchi, Aldacir Scartzini, Nair Lorenzi ,  Anair Buffon, Ione Buffon, Etaedi Duarte,  Beatriz Bratti,  Tereza Tramontini, Edi Roveda,   Elili Bagatini,  Maria Luiza Bertozzi, Ana Maria Ceregatti, Shirlei Tarter, Rovena Lahude, Ione Fiorini, Arilene Zanin, Jacira Lanzzini, Zilá e Mirtes Roveda, Dagmar Abreu, as irmãs Claire e Odete de Relvado e muitas outras que não lembro, chegando no mesmo destino, Estação Rodoviária do Sr.  Mário Kieling em Lajeado, bem próximo da Escola Madre Bárbara.

As NORMALÍSTAS da Região,  Rejane Shabach, Yara Bil, as irmãs Marisa e Leila Aesse, Vera Maria Dieter,  Sonia Nicolau, Liege Jaks, Helena Chaves, Vera Rieter, Léa Miotto, Oriete Gheno,   se juntavam  no Internato Madre Bárbara, com as que estavam chegando de Encantado,  para formar o famoso na época,  trenzinho da Madre Bárbara. Era o trem mais lindo que existiu em nossa Região naqueles tempos, composto pelo menos por umas 80 internas que andavam em fila dupla, vestindo uniforme com blusa e saia plissada, conduzidas e policiadas pela Freira Irmã Genésia à frente, quase  todas as tardes até a Igreja Matriz de Lajeado, para assistir Missa e nos domingos no matinê do Cinema local. Êta trem bom!

Ao chegar na Estação Rodoviária, carregando uma pequena mala de papelão e um saco branco de açúcar contendo as roupas de cama, eu, Mauri Filter e Paulo Fernando Chanan, (os três inseparáveis, apelidados de: perdido, carrapato e crocodilo), seguimos a pé com passagem obrigatória no atalho pelo meio da praça da Matriz, que levava ao internato do Colégio São José. Antes de tomar os pequenos caminhos da praça, chamava  atenção uma camionete Renault com alto falante de  corneta robusta no teto, e de pé, encostado na porta pelo lado de fora, com microfone na mão,  um locutor transmitindo os sucessos do rock and roll de Elvis Presley, maior símbolo da música na época, e  anunciando  programas da Rádio de Estrela. Era o Gerente daquela Emissora, Sr. Chaves Garcia, pai de nosso contemporâneo  Alexandre Garcia. A rádio nesta década dominava o sistema de comunicação em todo Brasil. A televisão existia, mas em nossa região, não havia chegado.

Continuei carregando minha pequena  mala e uma bolsa branca que  identificava minha origem humilde. Chegando no centro da praça, às margens do chafariz, fomos surpreendidos com  uma  acolhida fraterna e carinhosa das meninas lajeadenses, com recepção curiosa aos novos estudantes que ali chegavam, para criar um contato inicial agradável de boas-vindas.

Lembranças,  das meninas, Bety, Neca, Heleninha, Josenia, Lieges, Rejane Lorci, e Terezinha, que naquele momento nos recebiam com  gestos inesquecíveis  em um clima de euforia que o tempo não apaga. Ficou com certeza no imaginário dos jovens estudantes.  Nesta época fui marcado pelo padrão de beleza, vendo as garotas com penteados de coque banana, algumas com lenço de bolinhas na cabeça, vestidos  também de bolinhas  e saias rodadas numa aproximação de ingênua atração. Conheci meninas inesquecíveis representando a pureza da adolescência, onde lembro com muito carinho e amor.

Nos apresentamos e, assim iniciou forte amizade.  A diferença cultural de minha origem era muito grande. Meus colegas e minhas amigas de origem alemã, tinham uma maneira diferente de nossos hábitos.

Ainda estávamos na década de 1950. Foi um período muito especial, em que jovens de classe média tinham o privilégio de frequentar um bom ensino em regime fechado. Da cidade de Encantado, eu e meu amigo Mauri de classe média, conseguimos bolsa de estudos, estávamos igualados pelos brudas aos discriminados semi-internos  que residiam em Lajeado e prestavam serviços como serventes no refeitório. Por sorte nossos colegas e as jovens não tinham esta distinção, éramos todos estudantes do internato São José.

Aos domingos éramos convidados pelas garotas conhecidas do dia da chegada,  para participar de reunião dançante no Clube Social de Lajeado. Por determinação da Diretoria do Clube, as músicas permitidas eram somente valsas. Nos era vedado músicas românticas e outras agitações musicais do momento. Lembro de minha primeira dança como qualquer pretendente a bailarino, dancei uma valsa elegante rodando no salão conduzido  pelo meu par. Contagiados e encantados com a beleza das jovens, aprendemos a dançar valsas. Foi minha primeira valsa como quem aspirava dançar  para ser um bom bailarino.

Foram momentos vividos de forma única, com passagem de sentimentos e emoção. Nossas tardes de domingo, para quem não gostava ou não era bom no futebol o destino era no Clube Social em reunião ou matiné dançante. Aquelas valsas foram eternas. Como é bom recordar aqueles bons tempos. Que grande vontade de viver tudo outra vez.

fevereiro de 2020

Bilaco

1 Comment

  1. ANTONIO J M ROSADO 22 de março de 2020 at 10:45

    Com certeza recordar é reviver os bons momentos. O tempo é implacável e não há volta, mas as recordações das coisas que nos aconteceram ajudam a enfrentar os precalços do presente, que certamente também deixará lembranças agradáveis.
    Caro sr. Adroaldo, o que tenho realmente hoje é cumprimenta-lo pelo excelente livro sobre a família Lisot. Minha esposa é descendente de uma Lisot e gostaríamos de adquirir 2 livros para presentear a minhas cunhadas. Gostaria de saber como comprá-los.
    Grato pela atenção.

    Antonio Rosado

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